Resenha – Primeiras Impressões de Diablo Imoral

Ontem depois de muita espera por quem há anos queria ter a experiência oficial (quem não espera muito já encontrou um monte de solução alternativa na rede) de jogar Diablo na telinha do celular teve a oportunidade de ter um vislumbre do futuro.

E o futuro é continuar esperando.

Antes um contexto da franquia sob o meu ponto de vista (se o seu for diferente deixa nos comentários, mas se quiser só reclamar do meu texto vai reclamar sozinho).

Em algum momento num passado remoto e cada vez mais distante a Blizzard foi uma espécie de referência para quem queria procurar jogos que conseguiam alinhar gráficos, jogabilidade e uma história cativante. Porém depois da aquisição do estúdio pela Activision o que se percebeu foi o uso da memória afetiva do público em relação a esses elementos e uma série de projetos de qualidade que pecava em alguma coisa.

Diablo foi um marco quando lançou.

Lançado em 1996 tratava-se de um dos primeiros hack and slash com gráficos no estilo Fake 3D que ganhou o grande público. Era um jogo sem muita pretensão que basicamente consistia em você escolher entre Warrior, Rogue e Sorcerer e sair matando tudo que encontrasse pelo caminho em vários mapas de uma dungeon subterrânea com vários níveis até zerar o jogo. Nesse meio tempo você precisava ir e vir várias vezes para vender equipamentos pilhados e fazer upgrade das roupas que vestiam.

Tinha uma história? Talvez, mas naquela época a gente nem se importava… Mas tinha algo ali. Aí o estúdio fez até uma expansão, tentou uma forma de multiplayer que não deu muito certo e então veio a a grande sacada.

Diablo II

Esse lançamento da Blizzard dos anos 2000 foi verdadeiramente um marco. Pegaram tudo aquilo que funcionava em Diablo e decidiram ampliar. Colocaram realmente elementos de história relevantes, personagens relevantes e cativantes, inimigos divertidos de matar e um sistema de geração de mapa randômico que era um terror. Além da possibilidade de jogar online ou via rede local com amigos.

Era divertido jogar e perdi a conta da quantidade de vezes que juntava com amigos para zerar o jogo (que permitia recomeçar sempre com uma dificuldade cada vez maior até o limite de levels dos personagens). Agora o jogo vinha com as classes Amazon, Necromancer, Barbarian, Sorceress, Paladin, Druid e Assassin.

Cada um deles era excelente existia um balanceamento interessante para garantir horas de diversão. Mas com o tempo o jogo acabou envelhecendo sem que acompanhasse as evoluções tecnológicas e algumas funções ficaram abandonadas pela Blizzard (me lembro quando limitaram a quantidade de soldados-esqueleto do Necromante porque a partir de algum nível tinham tantos esqueletos que travava o jogo, principalmente em jogos online ou via rede local).

Aí em 2012, depois de muitos anos prometendo, lançaram Diablo III.

Era divertido, era legal, mas não tinha o mesmo apelo de Diablo II. Não sei porquê, apesar de gostar muito na época, não me sentia compelido a jogar indefinidamente. O foco do jogo na direção do Pay to Win (o P2W), em que jogadores que pagassem por itens ganhavam vantagens em relação aos demais. E uma necessidade desnecessária de estar online para jogar offline. O jogo simplesmente não tinha como jogar sozinho, sempre tinha um popup ou mensagem irritante te lembrando que você está em um MMORPG.

Por sinal, em muitos momentos lembrava realmente um MMORPG, principalmente World of Warcraft (outra criação da Blizzard) e, francamente, se eu quisesse jogar World of Warcraft não estaria jogando Diablo. Parece simples, mas apesar de ser tudo medieval eram jogos e formas de jogar diferentes.

Acabei largando o jogo de mão e nem comprei as expansões, como dizia um amigo na época: jogo pra me divertir, se me aborreço adeus.

Agora chegamos finalmente ao Diablo Immortal.

Anunciado em 2018 pela Blizzard o jogo seria uma versão para celulares de Diablo.

O trailer e o material de divulgação dava um ar de Diablo II e não de Diablo III. Aquela minha veia saudosista estava sendo alimentada tal T*mer quando recebe seu sangue de virgens pela manhã e acabei me inscrevendo no pré-registro pra começar a jogar assim que lançasse e isso aconteceu ontem.

Antes do lançamento estranhei que muitos conhecidos e amigos reclamavam de seus dispositivos não serem considerados capazes para o jogo e o meu S9 estar lá firme e forte. Não entendia (ainda) porque celulares mais novos, e teoricamente melhores, não rodariam o jogo… Mas…

Recebi a notificação do jogo.

Hora de baixar.

Já de cara diz que são 2GB de jogo para baixar. Meu S9 está com 20gb livres de 128gb, vai rodar de boa.

Até aí tudo bem, afinal de contas, é um jogo com certo peso, estamos em 2022 e os arquivos são mais pesados, tem texturas, não é um simples jogo com gráficos repetidos a exaustão.

Baixou, instalou e… Arquivos adicionais, mais sei lá quantos gigas.

Ok.

Baixou, instalou, abre uma popup vazia (é, vazia) e depois outra janela pedindo para fazer mais downloads.

Dessa vez não é apenas um download, é UMA LISTA. E um dos primeiros tem quase 2gb de arquivos, os demais 400mb em média. Meu S9 que tinha 20gb livres ontem, hoje tem 8gb livres e nem baixou o primeiro pacote.

Beleza, vamos ao jogo.

Logo de cara ele pede pra você escolher um servidor pra jogar online. Exatamente: não tem a opção de jogar sem internet. Aquela preguiça que deu no Diablo III já voltou de imediato… Mas vamos dar uma chance.

Tela de criação de personagens tem as opções de classes mais populares dos últimos jogos (Bárbaro, Necromancer e… o resto). Tem opções de escolher o gênero dos personagens e bastante personalização de rosto (que não vejo sentido, porque mal se vê a cara do personagem na tela de um smartphone e Tablets em geral não rodam porque em geral poucos tem espaço em disco pro jogo). Personalizou o personagem você inicia uma missão inicial em que vai aos poucos desbloqueando funcionalidades básicas do jogo que deveriam se resumir as setas de direção e os botões de ataque.

Mas não são poucas.

No final parece que o jogo desiste de explicar e simplesmente vem uma avalanche de informação na tela do smartphone. Parece que a galera de UX jogou tudo pro alto e foi embora, porque em alguns momentos é tão poluído que não se sabe sequer onde vai clicar.

Quando acerta o clique.

O jogo para algo que passou por 2 anos sendo desenvolvido está nitidamente pensado para algum dispositivo que não é o meu, então segue a lista de impressões:

  • O jogo foi feito para dispositivos com no mínimo 128gb;
  • Existe a possibilidade de reduzir os gráficos, mas essa opção só aparece quando você desbloqueia o menu em algum ponto da missão inicial (não sei qual, não deu pra perceber);
  • O jogo depois disso não é pesado, mas recomendo usar o telefone ligado na tomada porque é quase que 1% de consumo a cada cinco minutos;
  • ESQUECE baixar pra jogar no avião, depende completamente de acesso a internet, é um jogo que acaba com seu espaço offline pra ser 100% online e os tempos de telefonia móvel rápida e ilimitada estão no passado;
  • Eles deram um “jeitinho” de minimizar o lag e o consumo de CPU/GPU dos dispositivos fazendo com que o carregamento de mobs seja separado da linha dos jogadores, é cômico, pra não dizer estranho, ver as pessoas batendo no vazio enquanto você está cercado de bichos;
  • Tinha como o jogo ser offline, mas a Blizzard não quis;
  • Eu sei que já disse, mas tenho que enfatizar que precisa de MUUUUUUUUUITO espaço no celular, mas muito mesmo, você acha que baixou tudo é vai mexer numa opção de brilho e,
  • A jogabilidade é muito boa, as respostas são excelentes (nas opções vi que tem suporte nativo a joystick, como não tenho nem sei como funciona), mas a galera de UX tinha tanta coisa pra colocar que cada vez que a gente entra no jogo perde um bom tempo tentando se encontrar;
  • Os ícones são pequenos, se a sua tela não for de 10″, pelo menos, em algum momento vai acabar abrindo ou comprando acidentalmente um item que não queria querendo clicar no “não”;
  • O pensamento do jogo é 200% P2W ou P2F (pay to fun). Espero que a nova dona senhora Microsoft intervenha e resolva, porque é insuportável e se o objetivo for atrair velhos jogadores (que jogavam offline), já era;
  • Tem como se divertir? Claro, principalmente se você tiver uma tela grande, espaço de sobra, uma internet muito rápida pra baixar tanto conteúdo e um cabo de força que te permita segurar o celular confortavelmente;
  • A história parece interessante, mas não dá pra saber o que virá porque até agora não achei a opção de rever cinemáticas ou similares. E, se pular, até o momento a impressão que tenho é que se não viu já era.

A nota do jogo: 3 de 5 Diablo.

Tem como melhorar e muito, mas será que querem?

Até o momento tentaram ser portáteis e acertaram de raspão no Nintendo Switch.

Era pra ser Immortal, mas foi imoral e acha que todo smartphone é guloso.

2 comentários sobre “Resenha – Primeiras Impressões de Diablo Imoral

  1. Marcelo

    Compartilho sua análise. Também fiquei decepcionado com o jogo. Apesar da jogabilidade ser boa, gráficos ótimos (para uma tela pequena) essa fome de espaço e não poder fazer campanha offline, é broxante.
    Uma curiosidade: Se você usa um fone bluetooth, o jogo reconhece como um controle de PS4/XBOX e passa a mostrar instruções de como usar, além de acrescentar as teclas nas funções.

    Curtido por 1 pessoa

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