A era das redes contra sociais

Democracia é um conceito lindo, mas não existe no mundo real. A verdade é que as pessoas só pensam em democracia quando é algo relacionado às crenças e vertentes dela. Qualquer coisa fora disso é golpe, autoritarismo, fascismo, controle e coisas estúpidas nesse sentido. Eu sei o que você está pensando e em quem está pensando, e se você pensou nesse aí, você está no outro lado do autoritarismo, porque muito dificilmente você pensou em si mesmo e como você olha o outro lado. E isso está refletindo nas redes sociais.

Redes como o Facebook foram criadas com o intuito de você encontrar seus amigos de colégio e faculdade, seus parentes que moram longe, estabelecer vínculos com gente que você conhece e assim por diante. Então, como falei antes, depois começaram a aparecer os perfis profissionais, o pessoal querendo aparecer e os bots. Isso é péssimo para as marcas.

O Twitter era para ser uma rede de microblogs e acabou numa conversa de bar. Agora, está na situação em que você está na sua mesa conversando com os amigos, alguém fica olhando de longe com um binóculo e microfone escondido para saber o que de “errado” você vai falar. Os ofendidos profissionais, quando não gostam do que você fala, chegam derrubando a mesa, batendo em todo mundo, chama a polícia e fazem um escarcéu. O dono do bar, ao invés de expulsar os arruaceiros, expulsam você e seus amigos. Os arruaceiros ficam já olhando para as outras mesas e procurando fazer o mesmo com a próxima vítima.

Resultado: o pessoal que frequenta o bar teme acontecer o mesmo com eles e procura para saber se o bar tem salas privativas e se trancam lá dentro. Ou mesmo saem, indo para um restaurante que não seja mal-frequentado, ou recebe em casa, mesmo.

É isso o que está acontecendo com o Twitter. De acordo com documentos internos, o Twitter está perdendo seus usuários mais ativos. E o pessoal que está ficando é o pessoal contra a compra do Twitter pelo Musk, que já denunciou o festival de bots e contas falsas que propagam ódio. E se você pensa em vertente política, pense de novo: os dois lados fazem isso.

Um amigo tomou gancho porque falou de uma trambiqueira em sua própria rodinha dentro do Twitter, mas a criatura roda o famoso egosearch para saber quem está falando dela e aciona seus amiguinhos para que seus negócios escusos não sejam conhecidos. A conta desse amigo tomou uma advertência por coisa que ele escreveu há 6 anos, porque o Twitter é pior que ex. Curiosamente, perfis de traficantes podem ficar tranquilos. Estes não são denunciados, pois seus clientes não vão querer perder contato.

Celebridades colocam seus perfis a cargo de profissionais de Relações Públicas, os perfis verificados ficam fazendo seus showzinhos para estarem sempre entre os trend topics, porque morrerão se deixarem de ser vistos, e as marcas os esqueçam. Porque é nisso que está se baseando o Twitter: bots e celeumas sem sentido para criar buzz e chamar atenção de marcas. O problema é que bots não consomem.

As marcas estão, aos poucos, percebendo que estão pagando para não serem vistas. Estão pagando a celebridades para eles falarem para um gado que só existe em números, mas não em alcance, e números podem ser facilmente manipulados pelos próprios perfis verificados, enquanto as simples pessoas que querem interagir estão fugindo, porque são alvos de ataques. Então, Musk chega e diz que a rede precisa se livrar da rede de ódio perpetrada por quem denuncia o ódio dos outros, mesmo que inexistente, além de dar chance das pessoas poderem expor o que pensam e conversas, não querem, querem a autocracia benevolente (em suas opiniões tacanhas), que todos têm que ter a mesma opinião certa, num mundo terrível e falsamente idílico de San Angeles.

O porta-voz do Twitter disse que o público geral continuou a crescer, chegando a 238 milhões usuários ativos diários monetizáveis no segundo trimestre de 2022. Mas é enganação para dar balão nos acionistas. Por usuário ativo são bots com postagens automáticas, gente atacando os outros sem sentido, e um monte de gente com vários perfis falsos falando consigo mesmo. Investidor não é tão babaca assim, e os prejuízos que o Twitter acumula só está atrasando o inevitável: sua venda, ou cair na total irrelevância que nem o Yahoo que ficou de frescura quando a MS fez uma oferta de compra, acabando que a então CEO estava destruindo a empresa com suas festas memoráveis e gastando dinheiro a rodo que o Yahoo não tinha.

Os perfis que ainda querem ficar no Twitter estão colocando cadeados, como os que vão para as salas reservadas em restaurantes. Isso é um problema sério para as marcas, que não terão acesso às métricas e muito menos às pessoas, sendo extremamente danoso pro Twitter.

O modelo Facebook é diferente, em que as marcas pagam para que mais seguidores tenham acesso, limitando quem não paga, e seus milhares de seguidores não veem o que a marca posta. No Twitter, não funciona assim, e não sei se o Musk vai usar. Para mudar isso, tem que convencer as pessoas a saírem dos cadeados, o que não acontecerá na atual circunstância.

Facebook e Whatsapp, queiram ou não, é o mais inclusivo, mesmo o Whatsapp criando uma rodinha de amigos, e protegendo-os de quem não concorda com eles, apesar de sempre ter uns xeretas indolá encher o saco, mas só dos mais conhecidos, não das pessoas comuns, porque dá trabalho. E não adianta denunciar que o cara postou a foto da vizinha desinibida. Ele não será julgado pela plataforma por fazer alguma piada de tiozão do churrasco.

Reclamam do WhatsApp, mas ele é realmente democrático, e enquanto você não violar nenhuma lei ou ter uma atuação tipificada como crime, tá de boas, o tribunal da internet não colocará as mãos em você.

A diferença entre as receitas mostra qual é o caso de sucesso.

Porque, no final, acabaremos que nem o Bilbo desejando bom dia e o Gandalf lhe dando um esporro. A diferença é que o Gandalf não cancelou o Bilbo fazendo-o sumir da Terra Média.

3 comentários sobre “A era das redes contra sociais

  1. Pingback: Sobre métricas, redes sociais e por que o Twitter falhou – Caderno de Informática

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